Sobre a “tal” força dominadora da moda.
Por Ludmylla Gomes.
Que a moda influencia nossos modos de vestir, falar, andar e se comportar, isso é fato. Quem é que não gosta (ou melhor, adora!) seguir as novas tendências e se sentir antenado? E mais: quem nunca copiou um modelito bacana de alguma revista ou de alguma novela que atire a primeira pedra. A moda é assim, IRRESISTÍVEL.
Para Gustave Le Bon, em “As Opiniões e as Crenças”, a moda exerce uma “açã inconsciente” que nos leva a seguí-la sem que percebamos.
“A moda é tão poderosa entre as mulheres que elas suportam, em obediência aos seus ditames, os mais terríveis enfados, como as obrigações, há alguns anos, de manter constantemente erguida, por uma das mãos, um vestido de cauda, sendo a outra mão ocupada em carregar a bolsa, destinada a encerrar o conteúdo dos bolsos; é análogo o suplício no andar, determinado pelos vestidos chamados “entravés” e aceito há longos meses. Nesse ponto, as civilizadas rivalizam com as selvagens, que suportam a tortura de um anel espetado no nariz, em obediência à moda.”
Mas por que a moda exerce tanta influência? Será que as pessoas simplesmente seguem as idéias criadas pelos estilistas, por mais fantasiosas que sejam, pelo simples prazer de seguir? No mesmo livro, Le bom afirma que “a moda, como a linguagem e as religiões, é uma criação coletiva e não individual”. Além disso, o que os “supostos criadores de moda” fazem é traduzir o desejo geral. Pode ser muito facilmente comprovado que uma moda que pega é aquela que percebe e busca suprir as necessidades. Aquela que entende as mudanças de perfil dos seus consumidores.
“A moda agrada quando impressiona, mas o que causa impressão só tem êxito sob a condição de não se afastar demasiado da moda precedente. As fases de transformação são sempre sucessivas, pois a vista lentamente se adapta às novidades, como rapidamente se fatiga das coisas vistas durante muito tempo.”
Nada como uma linda maxibolsa, para aquela mulher que sai de casa bem cedo e só volta à noite e precisa carregar de tudo um pouco. Moda não é fútil, moda é útil. E as pessoas não são apenas cabides sem vontade própria e que apenas usam o que os costureiros mandam. Elas seguem primeiramente as suas vontades, sem deixar, muitas das vezes, de seguir a moda, é claro.
Juntamente com a figura dos “trendwatchers”, os grandes estilistas sabem muito bem como adaptar todo o glamour das passarelas à demanda do público. E é por isso que a moda é tão obedecida. O próprio Le bom em sua época já acreditava que “nenhum dos deuses do passado foi tão respeitosamente obedecido”.
Primeiro Comentário!
=)
Muito louvável essa iniciativa.
Até porque, quem é que gosta de mulher magrela: O.o
Ótimo texto Lud. Você fala com muita propriedade sobre o tema.
Vamo bombar isso aqui!!
“Mas não seria mais adequado que a roupa se adequasse ao corpo das pessoas, e não as pessoas terem de se adaptar ao tamanho das roupas?”
Uhhhhuuuuulllll Lud!
Cê só me dá orgulho!
Aaaaaaaamo! =*
Olá
Sou estudante de ArtesVisuais e muito gentilmente fui convidada a frequentar esse blog; bom Danielle, vou fazer o melhor possível!
Então… Neste tema acho importante ressaltar as origens dessa convenção violenta e ideal de beleza, e de quanto é a responsabilidade da “mídia”. Por que as meninas de hoje preferem a beleza à inteligência? E os meninos; por que preferem a imagem do “herói-demolidor” à inteligência?
Aonde começou essa distorção de valores? Que padrão é esse que faz bonito um corpo doente, a falta de inteligencia e ademais banalidades?
Passando por todos os critérios de formação cultural, temos a construção estética do belo pela filosofia; por exemplo, e desde que foi enunciada, nunca se questionou até quando esse “modelo” não iria interferir na sociedade concretamente; sobre tudo com a evolução dos meios de comunicação. Se estamos na era video-clip lógico que as mais belas mulheres que vemos são as que enfatizam o carater do pensamento da beleza ideal; mas até quando tolerar isso?
As agências de modelo não tem essa designação por acaso, mas é importante e urgente, que os contratantes recriem o “modelo” no mercado; mais humano e possivel, até aos olhos do consumidor, que busca nelas alguma inspiração mas que por vezes é agredido por fisicos raquíticos expostos em campanhas publicitária na TV, revistas e out-doors – como recentemente Gisele B. nos fez crer na salvação após engordar alguns quilinhos!
…
“Meninas , negras, ruivas, loiras, morenas… Que sejam magras ou gordas – como eu – , altas ou baixas – como eu – mas que saudaveis, satisfeitas e felizes – como eu.”
…
Obrigada DaLud! E parabêns!
[...] nosso cotidiano, “as meninas” fizeram uma crítica super interessante sobre os “padrões de beleza” [...]
Ei Dani,
adoorei seu blog!
O meu é http://kaborchardt.spaces.live.com